FERRO E AÇO MACHADO EM ALTO SANTO-CE

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Superlotação compromete a beleza de Canoa Quebrada



Canoa está transformada. A beleza natural, que parecia permanente, perde cor a depender do dia e da hora. Em alguns períodos é o dia todo. Ou a temporada. A vila praiana mais famosa e visitada do Ceará sofre por excesso. Vitimada por ser bonita demais. Muita gente, lixo demais, esgoto demais, água no limite, energia elétrica também. A demanda gerada pela população flutuante deixa marcas perigosas que vão da pedra de crack à poeira das falésias em desconstrução pelos carros que passam. O “Quebrada” pode ser emendado por “insustentável”. Uma vila praiana bela e atraente que ainda tenta caber em si.
A forte ocupação, gerada pelo turismo de três décadas, torna visível uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso, evidência de uma óbvia disputa por espaços. Na praia, as barracas competem com as falésias enquanto as ondas da maré alta banham o que tem pela frente; na vila, pousadas, restaurantes e vendedores ambulantes competem pelo real cambiado de dólar e euro; nas dunas, bugueiros “legais” e “piratas” brigam em uma das atividades turísticas mais rentáveis; no ar, pilotos de parapente disputam espaço aéreo e o dinheiro do turista, ao ponto de haver voos triplos até em tempos de ventos fracos.

O atendimento desordenado gera falhas que comprometem os serviços. Carros se chocam nos morros de areia, voadores caem do céu e as ruas secundárias à Broadway (poucos chamam Rua Dragão do Mar) viram cenário escuro de assaltos. Sem ser diferente de outras vilas e cidades, nada disso é tão frequente comparado à quantidade de pessoas que passam por lá, mas tudo se torna evidente por se tratar de Canoa Quebrada.


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