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segunda-feira, 16 de março de 2015

Produção de tilápia está em alta no Castanhão

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Jaguaribara. Mesmo com as dificuldades em decorrência do baixo nível do Açude Castanhão, que atualmente está com 22.84% da sua capacidade de armazenamento, a produção de tilápia fechou o ano de 2014 com o volume de 12.9 mil toneladas, um aumento te 6,4% em comparação com a produção de 2013, que foi de 12.1 mil toneladas. Um dos motivos desse aumento, segundo a Secretaria de Pesca de Jaguaribara, se dá em decorrência da imigração de piscicultores de outros açudes que não se encontram em condições para manter a produção.

Os dados são do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que gerencia a Barragem do Castanhão. O órgão considera uma produção “razoável” diante do atual momento que vive o Açude: menor nível de toda a sua história, o que contribui para um aumento da poluição, bem como a proliferação de algas, o que afeta diretamente a oxigenação no entorno dos tanques-rede; e o decorrente aumento de produtores no Parque Aquícola. Mesmo assim, só o número da produção de tilápia em tanques-rede, uma das principais modalidades da atividade piscicultora, apresentou em 2014 um avanço de 14,5%, em comparação com 2013, quando a produção foi de 12.1 mil toneladas, enquanto em 2012 fechou o ano com 5.7 mil toneladas.

Já com relação à pesca extrativa (de redes e anzol), houve um recuo 53,2% nas produções de 2014 em comparação com 2013. O volume de pescado ano passado chegou 0.68 mil toneladas enquanto que em 2013 a produção foi de 1.45 mil toneladas de tilápia.

O Dnocs observa que o baixo nível do açude afeta diretamente a pesca extrativa, enquanto a produção de tilápia em tanques-rede aumenta a cada ano. O Castanhão foi dividido em três parques aquícolas para a exploração da atividade pesqueira, que envolve os municípios de Jaguaribara, Alto Santo, Jaguaribe e Jaguaretama, sendo que estes dois últimos compõem um único parque aquícola.

Maior

Ao todo, são 857 lotes, que foram entregues aos produtores por meio de um processo de licitação. O Parque Aquícola de Jaguaribara é o maior deles, onde estão concentrados 677 produtores que possuem concessão de uso. Já os parques aquícolas de Alto Santo e Jaguaribe/Jaguaretama possuem 220 e 125 concessionários, respectivamente. De acordo com a secretária executiva de Pesca e Aquicultura de Jaguaribara, Eva Parente, desde o ano passado houve um aumento de piscicultores vindos de outros açudes que se encontram com a situação crítica.

“Por conta dessa falta de chuva e de recarga nos açudes de outras regiões do Estado, esses piscicultores acabam vindo se socorrer aqui. Não temos o número de quantos estão atuando. Muitos exercem a atividade na concessão de outros permissionários que não estão produzindo. Buscamos uma parceria com o Ministério da Pesca e a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado para fazermos esse levantamento”, ressaltou.

Eva Parente ressalta que a situação é preocupante, diante da orientação que é dada aos piscicultores, de que eles diminuam a quantidade de gaiolas no açude, evitando, assim, que haja grande mortandade, como aconteceu ano passado, quando um grupo de piscicultores perdeu dez toneladas de tilápia durante a noite, devido a problemas de falta de oxigenação.

“Alguns piscicultores estão deixando o Castanhão em busca de reservatórios em condições melhores. Dois produtores de Jaguaribara levaram gaiolas para açudes em Pernambuco e Maranhão”, explica.

Atividades

O titular da Secretaria de Pesca de Jaguaribara, André Siqueira, ressalta que o Município realiza diversas atividades voltadas ao apoio da piscicultura. Também é feito um atendimento aos piscicultores, dando suporte ao Ministério da Pesca e Aquicultura, nas solicitações de Licença Inicial de Aquicultor, Renovação de Licença de Aquicultor, dentre outros requerimentos ao Ministério da Pesca e Aquicultura.

Estrada precisa ficar pronta

Jaguaribara. Diante da dificuldade de acesso por terra ao Parque Aquícola deste município, estão sendo recuperados 17 quilômetros de estradas, que são utilizadas para o escoamento da produção de tilápia, bem como a chegada dos insumos aos piscicultores. A obra, financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e executada pelo Departamento Estadual de Rodovias (DER) em parceria com a Prefeitura, está orçada em R$ 790 mil.

A restauração da via era uma reivindicação dos piscicultores, que enfrentavam dificuldades para levar os insumos ao Parque Aquícola. As estradas de terra eram estreitas e esburacadas e o acesso era difícil, principalmente durante períodos chuvosos. No fim do mês passado as obras foram iniciadas. Estão sendo feitos serviços de terraplanagem, pavimentação primária e drenagem. A obra, que compreende três etapas, passará pelas localidades de Lages, Jaburu e Curupati, sendo as principais rotas da piscicultura. A extensão total é de 17,731 quilômetros e possui um prazo de 270 dias para sua conclusão.

Além desta, o município vem tentando requerer do governo do Estado, por meio da Secretaria de Pesca e Aquicultura (SPA) a pavimentação asfáltica da CE-273, que interliga a BR-166 à Península do Curupati, onde há os assentamentos Curupati Peixe e Curupati Irrigação, responsáveis pela produção de tilápia e frutas na região. A estrada, com um percurso de 19 quilômetros, ainda é carroçável, o que prejudica o fluxo de caminhões para o escoamento da produção. Os assentamentos foram construídos junto com a barragem do Castanhão e a estrada asfaltada é aguardada pelos moradores desde então.

De acordo com dados da Associação Comunitária do Curupati Irrigação, a produção mensal da fruticultura irrigada gira em torno de 180 toneladas. Já a Associação Comunitária do Curupati Peixe informou que a produção de peixe in natura é de 80 toneladas, enquanto a de insumos (ração para peixe) é de 125 toneladas. “Pela importância econômica que esses dois assentamentos têm para Jaguaribara e para o Estado, é imprescindível que a rodovia tenha condições de facilitar o fluxo de veículos”, ressaltou o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Aquicultura e Pesca (Sedeta) de Jaguaribara, André Siqueira. Ele acrescenta, ainda, que a produção pode triplicar, já que o acesso de produtos e escoamento da produção poderá ser melhorado com as obras.

“Fizemos um relatório com a produção e potencialidades da região do Curupati e apresentamos para o Governo do Estado, bem como apresentamos junto à SPA e tivemos um retorno positivo. Foi assegurado que a obra da CE-273 será incluída no Projeto Ceará III. Agora é só aguardar quando o projeto será executado”, acrescentou Siqueira.

A Península do Curupati, bem como diversas comunidades de Jaguaribara, têm crescido seu potencial turístico, principalmente para a pesca esportiva e a prática de atividades ao ar livre, como trilhas. Nos arredores da Cidade também é possível ter acesso a sítios arqueológicos, além da Barragem do Castanhão, que é parada obrigatória para visitantes.

Ellen Freitas
Colaboradora Diario do Nordeste