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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ceará registra 5 mortes por dengue neste ano


Dados são do Ministério da Saúde; entretanto, a Secretaria Estadual da Saúde confirma apenas três mortes

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Para especialista, o aumento das ocorrências se deve, em parte, à falta de cuidado com o armazenamento de água, onde o mosquito da dengue se desenvolve 
 
Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (13) apontou que o número de óbitos por dengue registrados no Ceará neste ano subiu para cinco, dois a mais do que o total contabilizado no último boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), publicado no dia 10 deste mês. Os dados do Governo Federal são referentes à Semana Epidemiológica 12 e envolvem o período de 4 de janeiro a 28 de março. No levantamento, a Pasta revelou, ainda, que o Estado tem a maior quantidade de ocorrências de dengue grave e de dengue com sinais de alarme de todo o Nordeste.
Segundo o Ministério, das cinco mortes, três ocorreram entre pessoas que contraíram dengue grave e dois em casos de dengue com sinais de alarme. O órgão não informou em quais municípios aconteceram os óbitos. Apesar do aumento em relação aos dados da Sesa, o número mostra redução se comparado ao do mesmo período de 2014, quando, conforme o balanço, foram registradas nove mortes.
Até 28 de março, o Ministério da Saúde contabilizou dez casos de dengue grave, um a menos que no ano passado. Já as ocorrências de dengue com sinais de alarme triplicaram em relação a 2014. Passaram de 22 para 67, neste ano. Com isso, o Ceará lidera o ranking nordestino de registro das duas modalidades da doença mais perigosas.
Ivo Castelo Branco, epidemiologista e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que a quantidade de registros até o momento é alta, mas ainda pode ser considerada normal para os padrões cearenses. Segundo ele, a maior preocupação deve ser com a incidência da doença. Quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes, a situação é tida como grave. No Ceará, de acordo com o balanço, a incidência é de 117,7 casos para cada 100 mil habitantes. O aumento de ocorrências, conforme o epidemiologista, é, em parte, resultado da falta de cuidado com o armazenamento de água.
 
Divergências
O levantamento do Ministério contemplou somente notificações de dengue no Estado, e não o total de casos confirmados. Até 28 de março deste ano, conforme a Pasta, foram notificadas 10.407 suspeitas da doença.
O último boletim da Sesa apontou 3.590 diagnósticos, no período de 4 janeiro a 11 de abril. Mesmo compreendendo um intervalo de tempo maior, as informações da Secretaria sobre óbitos por dengue divergiram das apresentadas pelo Governo Federal. O relatório estadual aponta apenas três mortes.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, a disparidade pode ter ocorrido devido a diferenças nas datas de pesquisa do números nos sistemas de dados. Conforme a Pasta, as informações contidas no balanço foram captadas na segunda-feira (13), portanto, estão atualizadas. O coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, Márcio Garcia, reafirma que os dados oficiais da Sesa confirmam apenas três óbitos, mas existem outros em investigação.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que repassou R$ 150 milhões em verbas a municípios e estados para intensificar medidas de vigilância, prevenção e controle da dengue.
 
Vanessa Madeira
Repórter