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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Castanhão: Produção de Tilapia poderá Diminuir e Afetar Criadores de Alto Santo, Jaguaribara e Jaguaretama


Representantes de diversos órgãos estiveram com os pescadores. Primeiro passo é o diagnóstico 
Jaguaribara. O risco iminente de diminuição na produção de tilápia em tanques-rede, no Açude Castanhão, para o segundo semestre, frente ao seu atual volume, que é 20,65%, tem deixado os piscicultores em estado de alerta. Órgãos governamentais de monitoramento e fiscalização da atividade têm buscado levantar informações sobre a atividade, a fim de planejar ações para o funcionamento da piscicultura nos períodos de baixa oferta hídrica.
Desde o fim do mês de abril, dois grupos técnicos multi-institucionais, formados pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Agência Nacional de Água (ANA) e Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH) buscam coletar informações sobre a realidade da atividade piscicultora no açude Castanhão.
Qualidade
Além disso, técnicos fazem um levantamento no que diz respeito à qualidade da água. Mas o questionário, destinado aos criadores contendo uma série de perguntas sobre número de tanques-rede, produção atual, empregados, dentre outras, enfrentou uma certa resistência.
"Essa era uma ação que já deveria ter acontecido, sem a necessidade de estarmos fazendo esse trabalho aqui", disse o coordenador de Ordenamento e Fiscalização da Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa), Osvaldo Segundo, durante reunião com os piscicultores, na noite da última quarta-feira, dia 3, na cidade de Jaguaribara. O momento teve o intuito de alertar quanto ao trabalho que estava sendo realizado e sua importância para a futura tomada de decisões no que compete ao gerenciamento da piscicultura.
De acordo com Segundo, não foi apenas a atual situação do açude que motivou a iniciativa de se fazer um monitoramento da piscicultura, mas também devido ao vencimento das licenças ambientais, que expiram no próximo mês de julho, e das outorgas (autorização para utilização de espelhos d'água), que vencem ano que vem.
"No ano passado, a ANA fez um convênio com o governo do Estado, por meio da SRH, para que, por estar mais próximo e estar em melhores condições, o Estado administre as outorgas e, para isso, a gente precisa desse trabalho agora, para idealizar como isso vai acontecer", explicou. Ele acrescenta que, diante do baixo volume de água no açude, esses estudos são fundamentais para tomar decisões com relação ao futuro da atividade.
Indefinição
Atualmente, o Estado não possui números exatos da produção do Castanhão que, ressalta segundo, "careceu de um acompanhamento". O reservatório pertence ao governo Federal, sendo o Ministério da Pesca o idealizador macro do Parque Aquicola do Castanhão, sendo ele responsável legal. Porém, com a atuação do Estado, será feito um novo planejamento de sua ocupação. Além da cidade de Jaguaribara, o parque aquícola também agrega piscicultores das cidades de Alto Santo e Jaguaretama.
"Nossa grande questão é como vai ficar a situação dos piscicultores que não têm outorga e da gente que já tá produzindo. Esse levantamento vai ser feito com todos, ou só vão mexer com os pequenos?", indagou durante a reunião, o piscicultor Edvando Almeida, mais conhecido como "Padim". Para ele, há uma apreensão quanto ao impacto negativo que isso possa causar, primeiramente, aos moradores de Jaguaribara.
Segundo acrescenta que os vários questionamentos dos piscicultores só serão respondidos após a conclusão do levantamento das informações, que pode levar um mês ou menos. "Só em posse dessas informações é que vamos analisar como a atividade deverá dar continuidade", concluiu Edvando.
Protagonista
As duas partes buscam entendimento
Osvaldo Segundo é o responsável pelos ordenamentos e fiscalização da Secretaria da Pesca do Estado e responde diretamente pelo inventário da infraestrutura e da atual ocupação do espelho-d'água. Para ele, é necessário replanejar a piscicultura urgentemente
Edvando Almeida é piscicultor no açude Castanhão desde 2010 e integra uma das três associações que ocupam o parque aquícola. Ele vem acompanhando os impactos na atividade com a diminuição do volume do açude e critica a falta de organização da atividade
Mais Informações:
Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa)
Av. José Martins Rodrigues, 150
Edson Queiroz - Fortaleza
(85) 3241-0114
Ellen Freitas
Colaboradora
DN