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terça-feira, 7 de julho de 2015

Crianças caçam ratos para comer carne na PB







A escassez de comida na mesa de muitos paraibanos está levando uma família da cidade de Alagoa Grande (na região do Brejo, a 107 km de João Pessoa), à uma situação extrema: caçar roedores para complementar a alimentação. Na comunidade Barreiras, no Sítio Tambor, virou rotina crianças saírem quase todos os dias, sempre à tarde, para colocarem armadilhas para ‘rato de Junco’. O prefeito da cidade disse que o Município vai ajudar a família, mas que já teria oferecido apoio anteriormente e eles teriam recusado.


A caça ao animal é artesanal e feita em uma lagoa que fica no centro da cidade. Uma das crianças revelou que há uma semana sua família se alimenta com rato, porque não dinheiro para comprar a “mistura” e nem outros alimentos. “A gente vai um dia sim, outro não. A gente mete o pau no ninho e mata os ratos (sic)”, contou um menino de 10 anos.



O registro da situação de extrema pobreza de uma família que é comandada por uma mulher de nove filhos foi feito pelo blogueiro Júlio Araújo. Ele flagrou um grupo de crianças saindo de um matagal com os animais já prontos para o consumo.



‘Rato do Junco’



Segundo Ivonete Márcio, bióloga e integrante da Vigilância Ambiental de João Pessoa, o ‘Rato de Junco’ é uma espécie de animal silvestre de hábitos noturnos semi-aquático. “Não há relato de problemas de saúde em decorrência da ingestão do animal. Em muitas regiões isso é consumido, mas devemos ter alguns cuidados com a higienização. O rato pode transmitir algumas doenças típicas das ratazanas”.



O animal é um roedor maior que o rato-comum-das-casas, de cor geral avermelhadas na região superior e cinza ventralmente.Alimenta-se de partes de vegetais aquáticos, sementes silvestres e cultivadas,mas podem até chegar a comerem animais invertebrados. Os ninhos são construídos em touceiras de capim, geralmente em terrenos brejosos; suas ninhadas chegam a até 10 filhotes.