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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Delatores citam na CPI nomes de Aécio, Dilma e Lula

Segundo Youssef e Costa, o tucano Sérgio Guerra também teria recebido R$ 10 milhões de empreiteira

Os dois delatores apresentaram contradições sobre o suposto pedido do ex-ministro Antonio Palocci por recursos provenientes de propina para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 ( FOTO: AGÊNCIA BRASIL )

Brasília. O doleiro Alberto Youssef afirmou, ontem, durante depoimento à CPI da Petrobras que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu dinheiro de corrupção envolvendo Furnas, subsidiária da Eletrobras. O doleiro participou de acareação ao lado do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa.

Youssef confirmou, ainda, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvios da Petrobras investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

"Eu confirmo (que Aécio recebeu dinheiro de corrupção) por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele", disse o doleiro.

A assessoria de imprensa de Aécio afirmou que Youssef apenas disse que ouviu dizer que o senador recebeu propina, não que ele recebeu dinheiro de corrupção. Lembrou ainda que a Procuradoria-Geral da República considerou que não havia indícios suficientes contra o tucano e por isso não pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação contra ele.

Em nota, o PSDB disse que as declarações dadas por Youssef são "ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época".

Segundo o partido, Youssef repetiu o que disse à Polícia Federal, que nunca teve qualquer contato com Aécio Neves e de que "não teve conhecimento pessoal de qualquer ato, tendo apenas ouvido dizer um comentário feito por um terceiro já falecido".

Durante acareação, Youssef e Paulo Roberto Costa reafirmaram ter sido feito pagamento de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso, em 2009.

De acordo com os delatores, a propina foi paga para esvaziar uma comissão que investigaria a Petrobras. Segundo Youssef, o valor foi pago pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), morto em 2014.

Costa acrescentou que foi procurado por Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para tratar do pagamento, que seria destinado a "abafar" a CPI. "Da minha parte, posso dizer que eles receberam", disse.

O deputado Leo de Brito (PT-AC) aproveitou a revelação para questionar a oposição que havia perguntado a Youssef e a Costa sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff, em 2010. Brito chamou a pergunta de "esforço descomunal" para envolver Lula e Dilma nas denúncias. "Eu quero saber onde foram parar os R$ 10 milhões usados para barrar a CPI da Petrobras. Essa é uma pergunta que devemos fazer?".

Conhecimento de petistas

O doleiro disse que Dilma e Lula da tinham conhecimento do esquema de desvios de recursos da Petrobras. Youssef e Costa foram questionados pelo deputado André Moura (PSC-SE) sobre se acreditavam que a presidente tinha sabia do esquema de corrupção durante o período em que ela foi presidente do Conselho de Administração da estatal, entre 2003 e 2010.

"No meu entendimento, quando o Paulo Roberto, nas discussões e nas brigas do partido, ele pedia um sinal do Palácio do Planalto... No meu entendimento, (Dilma) tinha conhecimento", disse Youssef.

Costa, por sua vez, disse que não poderia confirmar se Dilma tinha conhecimento ou não do esquema. "Como eu já mencionei nos meus depoimentos, nunca conversei com ela sobre esse tema. Agora, não posso afirmar uma coisa que eu não tenho esse conhecimento", afirmou.

Ao ser perguntado se acreditava que Costa tinha o aval de Lula e Dilma para operar o esquema, o doleiro disse que o ex-diretor tinha sinalização do Planalto, de quem comandava e presidia o conselho de administração.

Um dos destaques da acareação foi quando Youssef disse desconhecer o ex-ministro Antônio Palocci, mas afirmou que um outro delator ainda vai esclarecer o suposto pedido feito pelo petista por recursos provenientes de propina para a campanha de Dilma em 2010. "Existe uma investigação nesse assunto do Palocci e logo vai ser revelado", disse. Costa afirmou que houve o repasse.

Em nota, a assessoria de Palocci negou que tenha feito pedido para a campanha presidencial de 2010 a Paulo Roberto Costa.

DN