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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Venda de cerveja dentro dos estádios no Brasil pode estar bem perto de um 'final feliz' para os amantes da bebida




Venda de cerveja na parte externa do Castelão já é comum antes e após os jogos
( Foto: Kid Júnior )

A famosa "cervejinha", adorada por muitos torcedores, poderá, enfim, voltar às arquibancadas dos estádios brasileiros. Isso porque na última terça-feira (22), a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1375/15, que permite a venda e o consumo de cervejas em estádios e seus arredores durante eventos esportivos.

De acordo com a proposta, a comercialização do produto nas praças esportivas depende de algumas exigências, como a habilitação do fornecedor de bebidas por meio de alvará específico e de laudos técnicos da Vigilância Sanitária, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Além disso, seria determinado que o produto deve ser entregue ao consumidor em copos plásticos.

Para o deputado federal André Figueiredo (PDT/CE), membro suplente da Comissão, a medida pode trazer benefícios aos eventos, desde que se tenha disciplina. "Não vejo problema. Sou favorável à medida dentro de determinados limites, claro. Se houver disciplina, como acontece em vários estádios europeus, onde a venda acontece somente horas antes do jogo e durante o intervalo, pode funcionar perfeitamente aqui no Brasil", disse.

FCF apoia medida

Na opinião do presidente da Federação Cearense de Futebol (FCF), Mauro Carmélio, a proibição de venda de bebidas alcoólicas não inibiu a violência nos estádios. "No futebol cearense houve um prejuízo muito grande com essa proibição porque muitos torcedores optaram por assistir aos jogos em bares, em suas casas, ao invés de comparecer ao estádio", argumentou.

Ainda segundo o mandatário da FCF, a proibição causou outro problema: "os torcedores ficam nos arredores dos estádios consumindo bebidas até minutos antes de começarem os jogos, o que causa um certo transtorno nas catracas de acesso. A aprovação do Projeto de Lei colabora muito com a segurança. Com essa liberação, os torcedores poderão adentrar mais cedo o estádio e assim podemos fazer uma organização como aconteceu na Copa do Mundo, quando todos podiam consumir bebida até o intervalo ou faltando 30 minutos para o término do jogo".

MP/CE discorda

Na visão do procurador de Justiça José Wilson Sales, coordenador do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), o retorno da venda de bebida alcoólica nos estádios é considerado um "retrocesso".

"Está evidenciado que essa prática estimula a violência. Em Minas Gerais aconteceu isso. O Atlético Mineiro proibiu a venda, pois os torcedores que ficavam exaltados acabavam prejudicando o clube". O procurador também defende que a venda desrespeita o Estatuto do Torcedor, que proíbe o acesso e a permanência de torcedores em recinto esportivo portando bebidas ou outras substâncias proibidas que possam favorecer a prática de atos de violência.

A proposta ainda será analisada de forma conclusiva pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovada, seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para ser apreciada em Plenário.

DN