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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Decisão do Governo em Liberar Água do Açude Orós causa Temor e Preocupação

O anúncio da utilização das águas do reservatório para o abastecimento da RMF preocupa


O Orós é o segundo maior açude do Ceará, ficando atrás apenas do Castanhão ( Foto: Honório Barbosa)

Orós A decisão do governo do Estado de que as águas do Açude Orós podem ser liberadas em grande escala a partir de abril de 2016 para atender à necessidade de consumo da Grande Fortaleza obteve ampla repercussão neste Município, na região Centro-Sul do Ceará. O temor local é de esvaziamento do reservatório, criando dificuldades para o abastecimento regional.

O Orós, segundo maior açude do Estado do Ceará, acumula atualmente 36% de seu volume total. A reserva é estratégica. Ele assegura o abastecimento da cidade de Orós, fornece água para perenizar parte do Rio Jaguaribe, atende distritos e sedes municipais (Jaguaribe e Jaguaretama), dezenas de localidades ribeirinhas e realimenta o Açude Lima Campos, por meio de um túnel, que, desde o ano passado, atende a dezenas de cidades do Estado da Paraíba, por meio de caminhões-pipa.

Castanhão

O titular da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco Teixeira, disse que, se não houver recarga do Açude Castanhão na próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio de 2016), o governo vai liberar água do Orós para assegurar o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). É um cenário provável, a julgar pelas previsões da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) que vem alertando sobre o efeito intenso do fenômeno El Niño, que provoca escassez de chuva no Semiárido brasileiro.

O Açude Castanhão acumula somente 13% de sua capacidade máxima, segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Se não houver recarga em 2016, o abastecimento de Fortaleza somente está assegurado até setembro do próximo ano, com a ajuda do Orós, de acordo com Teixeira. "Esse é o pior cenário com o qual trabalhamos", observou Teixeira. Nesse quadro, o Orós iria liberar mais água para reabastecer o Castanhão e daí chegar à Capital do Ceará.

Teixeira reafirmou que a decisão está tomada, após estudos, pela SRH e por outros órgãos do Estado. Entretanto, se houver chuvas suficientes em fevereiro e março do próximo ano, o cenário é outro e a decisão de esvaziamento do Orós deverá ser adiada. Na operação, deve-se optar por descarga elevada em torno de 20 m3/s para formação de grandes ondas, evitando desperdício em obstáculos naturais e por evaporação.

Os moradores e produtores rurais da Bacia do Orós temem a repetição de 1993, quando o Ceará atravessou uma seca intensa, com perda de reservas hídricas e risco de colapso no abastecimento de Fortaleza. Naquele ano, o governo do Estado construiu em caráter emergencial o Canal do Trabalhador para a transferência de água do Açude Orós, que ficou com volume morto. Na época, não havia o Castanhão.

O esvaziamento do Açude Orós trouxe dificuldades para os produtores rurais e moradores da cidade e de áreas ribeirinhas. "O governo descobriu um santo para cobrir outro e nós até hoje não recebemos recompensa nenhuma", disse o produtor rural, Luís Souza. "Deixamos de produzir e ficamos sem água, trabalho e renda". Naquela época, era intensa a produção de arroz irrigado nas várzeas do reservatório e a pesca.

O secretário de Aquicultura e Pesca do Município de Orós, Henrique Silva, disse que a preocupação é grande ante o temor de perda da reserva hídrica do Orós. "O que nós pedimos é redução do volume liberado pela válvula e achamos que o governo não pode secar todo o Orós para atender Fortaleza, que precisa começar a economizar água", disse. "Não concordamos com essa decisão de levar água para indústria, comércio e deixar toda uma região sem reserva".

Campanha

A Prefeitura de Orós está mobilizada para fazer uma campanha de uso consciente da água e manter uma reserva mínima para o abastecimento dos moradores. "Infelizmente, a maioria dos moradores não tem consciência da gravidade da situação", lamentou Henrique Silva. A Câmara aprovou uma lei encaminhada pelo Executivo para o incentivo de redução de consumo. O Município faz o pagamento de contas de água de 200 famílias que se enquadraram nos critérios legais. "Vamos mobilizar a Cagece (Companhia de Água e Esgotos do Ceará) e a comunidade para incentivar a economia no consumo de água".

De acordo com dados do escritório regional da Cogerh em Iguatu, o Açude Orós libera 4.200 litros por segundo ou 4,2 m3/s. Pela válvula dispersora saem 1500 l/s e pelas turbinas 2700 l/s. As localidades de Feiticeiro, Nova Floresta e as cidades de Jaguaribe e Jaguaretama são abastecidas atualmente pelas água do Orós e nos próximos meses talvez inclua nessa lista, a sede urbana de Solonópole.

Mais informações:

Escritório da Cogerh - Iguatu

Telefone: (88) 3581- 0800

Secretaria de Aquicultura e Pesca de Orós

Telefone: (88) 3584-1160

DN