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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Ceará tem oito mortes de bebês com microcefalia causadas pelo vírus zika



O vírus zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Aedes aegypti também é vetor da dengue, febre amarela e chikungunya.



Oito bebês morreram, no Ceará, por microcefalia associada ao vírus da zika, de acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (5) pela Secretaria de Saúde do Estado. Segundo o boletim, ocorreram 28 óbitos, sendo quatro casos de natimortos e 24 casos que evoluíram a morte após o nascimento.
 Vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (Foto: Divulgação/Pixabay)


Destes, 46,4% (13) permanecem em investigação e 53,6% (15) foram confirmados sugestivos de infecção congênita. O vírus zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue, febre amarela, chikungunya e síndrome de Guillain-Barré.

De acordo com infectologista Roberto da Justa, após o nascimento, o bebê não tem mais o vírus zika no corpo. "O vírus esteve durante o desenvolvimento fetal, mas após dias ou semanas, ainda no corpo da mãe, o virus é eliminado. A criança não transmite vírus pra ninguém. Ela fica com as sequelas da infecção durante a gravidez", explica.

"Uma parcela vai nascer com microcefalia, outra parcela não vai nascer. O dano cerebral às vezes é tão grave que acaba comprometendo funções vitais, principalmente respiração e capacidade de se alimentar", relata. "Existem casos mais leves, outros mais graves. Pode repercutir futuramente no desenvolvimento psicomotor, fala, aprendizagem, memória, locomoção", explica o médico.

"Uma parcela vai nascer com microcefalia, outra parcela não vai nascer. O dano cerebral às vezes é tão grave que acaba comprometendo funções vitais, principalmente respiração e capacidade de se alimentar", relata. "Existem casos mais leves, outros mais graves. Pode repercutir futuramente no desenvolvimento psicomotor, fala, aprendizagem, memória, locomoção", explica o médico.

O boletim mostra, ainda, que entre outubro de 2015 e 4 de abril deste ano, foram notificados 437 casos de microcefalia no estado. Destes, 17,4% (76) foram confirmados, 26,1% (114) foram descartados e 56,5% (247) estão em investigação. Do total de notificados, 83,5% (365) foram detectados no pós-parto e 16,0% (70) durante a gestação. Dos casos confirmados, 88,2% (67) foram encerrados. Outros 240 são investigado. Em março, foi confirmado pela 1ª vez um caso de microcefalia em um bebê vivo, em Fortaleza.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Região Nordeste é tida como o epicentro do surto de microcefalia associado ao zika, mas um aumento relativo na incidência da doença também já foi notado em outros estados, com menor intensidade. Nenhuma área habitada pelo Aedes aegypti, em princípio, está livre de ver casos de microcefalia associados ao zika no futuro, mesmo que não sejam muitos.

Microcefalia


A microcefalia é uma condição rara em que o bebê nasce com um crânio de um tamanho menor do que o normal – com perímetro inferior ou igual a 32 centímetros (até este ano o Ministério da Saúde adotava 33 cm, mas a medida foi alterada de acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde). A condição normal é de que o crânio tenha um perímetro de pelo menos 34 centímetros. Essas medidas, no entanto, valem apenas para bebês nascidos após nove meses de gestação, e não são referência para prematuros.

Na maior parte dos casos, a microcefalia é causada por infecções adquiridas pelas gestantes, especialmente no primeiro trimestre de gravidez – que é quando o cérebro do bebê está sendo formado. De acordo com os especialistas, outros possíveis causadores da microcefalia são o consumo excessivo de álcool e drogas ao longo da gestação e o desenvolvimento de síndromes genéticas, como a síndrome de Down.

Pesquisas


Pesquisadores brasileiros descobriram que o agente infeccioso que se espalhou pelo Brasil é resultado de uma mutação que criou um tipo novo de vírus muito mais perigoso e que ataca as células dos cérebros dos bebês. Segundo eles, esse é uma vírus diferente do que foi identificado em Uganda, na África, em 1947.

"Foram mutações que tornou o vírus zika capaz de entrar no sistema nervoso central das pessoas com mais facilidade. O vírus africano infecta e destrói logo a célula. O nosso vírus opera a diferenciação da célula". explica Amílcar Tanuri, virologista e pesquisados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Assim, a infecção impede que as células troco virem neurônios, que são as células do cérebro. Sem a multiplicação dos neurônios, o cérebro dos bebês não cresce, mostra a pesquisa.

Recomendações


Para evitar o contágio, a Secretaria de Saúde orienta sobre os cuidados com o mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus. As gestantes devem fazer uso de repelente tópico, considerando a relação causal entre o Zika vírus e os casos de microcefalia relacionada ao vírus Zika diagnosticados no país. Estudos indicam que o uso tópico de repelentes a base de DEET por gestantes não apresenta riscos.