FERRO E AÇO MACHADO EM ALTO SANTO-CE

sábado, 2 de julho de 2016

População de Pereiro-CE Sofre Com Escassez D'água; Carros Pipas Buscam Agua em Poços na Cidade Vizinha Ererê



Como em outras cidades que tiveram os açudes que as abasteciam secos, os moradores dependem muito da água que chega em caminhões
Pereiro. Desde setembro do ano passado que a água tratada não chega diariamente às torneiras dos moradores desta cidade serrana, no Vale do Jaguaribe. A crise hídrica vem se agravando e as famílias se adaptaram a consumir pequena quantidade para o banho e atividades domésticas. O negócio de venda de água de beber e para uso geral prospera na área urbana e rural.
A cidade de Pereiro era abastecida pelo Açude Adauto Bezerra, localizado ao lado do centro urbano, que está seco. No porão, vazantes de capim, milho, verduras e até gado pastando. Autoridades locais e moradores esperam socorro dos governos do estadual e federal. As ações da Companhia de Água e Esgoto (Cagece), responsável pelo sistema local de abastecimento, são insuficientes.
Na manhã dessa quinta-feira, o escritório de atendimento aos clientes permanecia fechado. Oito poços foram perfurados no leito seco do açude pela Superintendência de Obras Hídricas (Sohidra) e Cagece, mas apresentaram vazão reduzida. A demanda local é de 76 mil litros por dia e a empresa só fornece cerca de 25 mil litros/dia, segundo informações do secretário de Agricultura do Município, Joseane Silveira de Moraes.
Há um rodízio implantado que distribui água de sete em sete dias para os bairros. Não atende, portanto, à demanda. Foram instaladas caixas em praças e ruas para que os moradores retirem água em baldes. Esses recipientes, chamados de chafarizes, são abastecidos por carros-pipa contratados pela Defesa Civil estadual.
"Há quatro anos compramos água de beber por R$1,50, o balde de 20 litros", disse o servidor público José Barbosa dos Santos. A água é captada em poços, localizados no vizinho município de Ererê. Há também quem compre água por R$ 25 a quantia de mil litros para uso geral (lavar roupa, limpeza de casa e banho). Essa é a realidade da maioria das famílias.
Na zona rural, 17 carros-pipa desde setembro de 2015 distribuem água para as localidades cadastradas, mas há mais de mil famílias esperando a inclusão no programa. Na cidade, oito carros contratados pela Defesa Civil abastecem as caixas colocadas em ruas e praças. "A fonte de água está se esgotando. Em setembro os poços devem entrar em colapso", disse o secretário de Agricultura, Joseane Morais.
Quando isso ocorrer será necessário trazer água do Açude Castanhão ou da Estação de Tratamento de Água (ETA) do SAAE de Jaguaribe a uma distância média de 140Km. "Essa operação já foi feita no ano passado", lembra Morais. A dificuldade é a subida da serra pelos caminhões carregados com água.
O desafio é encontrar fonte para socorrer o sistema de abastecimento de Pereiro. "Está em estudo a instalação de uma adutora a partir do Rio Jaguaribe, mas vai depender da água da Transposição do São Francisco", disse Morais.

Apesar das dificuldades de água para o consumo humano, a Cagece não instalou três chafarizes, cujos poços já foram perfurados pela Sohidra e as caixas colocadas pela Prefeitura. No distrito de Crioulos, a Cagece usou água de um poço que tinha dessalinizador e abastecia a comunidade para reabastecer o sistema local e este secou, deixando a comunidade sem água. 

DN