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sábado, 7 de janeiro de 2017

Mais de 4 mil detentos foram transferidos entre presídios cearenses





Mais de quatro mil presos foram transferidos entre os presídios cearenses desde a terça-feira, 3, segundo informações do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen).
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A informação é do Conselho Penitenciário do Estado. Medida busca separar presos por facções e evitar conflitos, como massacres registrados em Manaus e Boa Vista. Na madrugada de ontem, um óbito foi registrado em Itaitinga

 A medida foi iniciada 48 horas após rebeliões e mortes ocorridas no maior presídio de Amazonas, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Em Manaus, foram 56 mortes. Na madrugada de ontem, novo massacre deixou 33 mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, conforme a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejuc) em Roraima.

No Ceará, líderes e presos vinculados às facções criminosas são transferidos como medida de prevenção. A identificação de pertença a um dos grupos segue a declaração dos presos. “Não estamos fora de risco, estamos em alerta, com todo o efetivo de prontidão. Pode haver quem não tenha declarado a que facção pertence”, explica Ruth Vieira Leite, membro do Copen e especialista em Criminologia e Direito Penitenciário. Ela detalha também que é forte a ligação entre os líderes de facções dos presídios do Ceará com os de Amazonas.

Durante esta semana, as atividades de educação, saúde e assistência jurídica no sistema penal do Estado ficaram paradas enquanto as transferências estiveram em primeiro plano.

Em nota, a Secretaria da Justiça do Ceará (Sejus) informou que a contagem “das movimentações realizadas” entre as unidades prisionais nesta semana está sendo finalizada e um número “concreto” deve ser divulgado somente nesta segunda-feira, 9.

Tentativas

A conselheira lembra ainda que algumas medidas foram tomadas pelo Estado em 2016, em tentativa de estabilização do sistema, como a retirada de presos das delegacias e a inauguração de nova unidade em Itaitinga, no mês de novembro. Medidas que chegaram após rebeliões do mês de maio, deixando 14 mortos nas unidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

“As ações foram insuficientes, pois a demanda da superlotação é de décadas”, analisa Ruth. Conforme o órgão vinculado à Sejus, a população carcerária ultrapassa em 60% a capacidade do sistema. No Ceará, as disputas dentro dos presídios envolvem pelo menos três facções: Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme O POVO publicou ontem. A Sejus não confirma a separação, tendo afirmado, ainda na terça-feira, que o objetivo é “desarticular lideranças e prevenir conflitos”.

Morte investigada

Também na madrugada de ontem, a morte de Roberto Pereira de Souza, 39, foi registrada na Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL IV), em Itaitinga. Segundo informações da Sejus, o corpo do preso foi retirado pelos agentes e apresentava “muitas marcas de lesão”. Roberto respondia por homicídio e roubo. A pasta informou que a morte será investigada, seguindo procedimento padrão. 
Assim, não foi esclarecido se o caso tem relação com os conflitos registrados no Amazonas e em Roraima.

Em meio à tensão, o sistema cearense ganhou novo comando. O nome de Socorro França como secretária da Justiça foi confirmado, na manhã de ontem, pelo governador Camilo Santana (PT). Ela deixa de comandar a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) para assumir o lugar do advogado Hélio Leitão. 


FONTE: O POVO