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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Com a crise, trabalhador leva oito meses para conseguir realocação no mercado de trabalho


Trabalhador leva 8,7 meses para obter nova vaga


Dezembro foi o 9º mês seguido a apresentar alta ou estabilização do índice de tempo médio de procura por emprego



A fila do desemprego na Região Metropolitana de Fortaleza, que era composta por 158 mil pessoas ao fim de 2015, chegou a 241 mil desempregados no ano passado ( Foto: Fabiane de Paula )

  por Yohanna Pinheiro - Repórter


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Em um cenário de fechamento de postos de trabalho e de alta concorrência para as vagas formais que ainda surgem, o trabalhador da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) está levando, em média, 8,7 meses (35 semanas) para se reinserir no mercado. Os dados são da última edição da Pesquisa do Emprego e Desemprego (PED), divulgada pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) na semana passada.

Dezembro foi o nono mês consecutivo a apresentar aumento ou estabilização do índice de tempo médio de procura por trabalho. Conforme dados do IDT, o período de busca por emprego cresceu 25% de março até o último mês de 2016, passando de sete meses (28 semanas) a 8,7 meses (35 semanas). No início do ano, o índice seguia em trajetória de queda, passando de 33 semanas (8,2 meses) em dezembro de 2015 até 28 em março.
No entanto, não foi a criação de vagas que reduziu o tempo de procura por trabalho, mas o maior número de demissões. "Como muitas pessoas foram demitidas nesse período, elas entraram nessa condição (de procura por emprego) há pouco tempo, puxando a média para baixo. Ao longo do ano, mais pessoas entraram nessa estatística, ampliando a média", diz o coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT, Erle Mesquita.

De acordo com ele, o cenário atual é preocupante, uma vez que o seguro-desemprego para auxiliar os trabalhadores enquanto eles se recolocam no mercado de trabalho não é suficiente para cobrir o período médio de transição - o tempo médio de procura supera em quase quatro meses o período máximo de cobertura do benefício, que são cinco parcelas.

"E apenas metade da força de trabalho, que possui vínculo formal, tem esse direito (ao benefício)", pontua ele.

Maior em 5 anos
O coordenador afirma que o tempo médio de procura por trabalho voltou ao mesmo patamar de janeiro de 2012. Conforme dados do IDT, o maior índice de toda a série, iniciada em dezembro de 2008, foi registrado em maio de 2009, com um tempo médio de um ano (49 semanas) para o trabalhador se reinserir no mercado. "Foi a época que se seguiu após a crise internacional de 2009", lembra.

Mas foi em 2010, aponta Mesquita, que se atingiu o apogeu do mercado de trabalho tanto no Ceará como no restante do País. O tempo médio de espera foi sendo reduzido nos anos seguintes, principalmente em 2013 e 2014, quando ficou no patamar de 6 meses (25 semanas), até voltar a regredir. "Ao longo do tempo, principalmente a partir de 2014 com os sinais de arrefecimento da economia, perdeu-se essa tendência", afirma.

Procura
Outro indicador que demonstra a demora para a recolocação no mercado de trabalho é o tempo mediano de procura. O índice revelou que pelo menos a metade dos 241 mil desempregados na RMF nos últimos três meses de 2016 estava há 6,5 meses ou mais em busca de vagas. Enquanto isso, o mesmo indicador apontava que, de outubro a dezembro de 2015, demorava cerca de 4,5 meses.

Com o aprofundamento da recessão em 2016, o nível de emprego na RMF atingiu o pior nível da série histórica da PED. A taxa de desemprego encerrou o ano no patamar de 13,1%, 4,5 pontos percentuais a mais do que o verificado em 2015 (8,6%), com o fechamento de 82 mil postos de trabalho.

A fila do desemprego na RMF, que era composta por 158 mil pessoas ao fim de 2015, chegou a 241 mil desempregados no ano passado.

Setores
Todos os segmentos da economia metropolitana tiveram fechamento de postos de trabalho em 2016, com destaque para o setor do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com 26 mil vagas a menos (queda de 6,5%). Já a indústria de transformação encerrou 25 mil postos (-8,7%) no ano passado. Os serviços (-19 mil, ou -2,3%) e a construção (-17 mil, ou -11,7%) também tiveram desempenhos negativos.

Com as quedas, a indústria de transformação e a construção chegaram no ano passado aos menores níveis de ocupação desde o ano de 2011. Os dois segmentos fecharam 2016 com 263 mil e 128 mil pessoas empregadas, respectivamente, e foram responsáveis por 51,2% dos postos eliminados no ano passado.
 
FONTE:DN