FERRO E AÇO MACHADO EM ALTO SANTO-CE

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Setor diz que preço do camarão vai cair




Produção de camarão no açude Orós. A seca também impactou a produção do crustáceo no Ceará FÁBIO LIMA
Produção de camarão no açude Orós. A seca também impactou a produção do crustáceo no Ceará FÁBIO LIMA
A expectativa do setor de carcinicultura do Ceará é a de que o preço do camarão vai baixar após a Semana Santa (14 a 16 de abril) em cerca de 10%. Hoje o crustáceo chega aos restaurantes com preços 100% maiores ante os praticados em janeiro do ano passado. Restaurantes repassam cerca de 20% da alta ao consumidor e prometem baixar os valores junto a queda de preços.

Os fatores que levaram à elevação de valores vão desde a propagação da doença da mancha branca no Ceará, elevação dos insumos no setor da carcinicultura em 45% (de janeiro de 2013 a maio de 2016), seca no Estado e a demanda por camarão que é maior que a produção. “Quando aumentar a produção o preço vai baixar. Isso é com o feijão, com o leite e por aí vai”, diz Cristiano Maia, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Camarão do Estado.

Ele reconhece que a mancha branca impactou para diminuição de cerca de 60% da produção do crustáceo no Estado. Mas lembra que até 2008 os empresários exportavam 90% da produção, sendo 70% dessa venda para os Estados Unidos. Foram taxados pelos norte-americanos e perderam esse mercado. Foram para a Europa, mas os asiáticos superaram em vendas o mercado brasileiro. A solução foi se voltar para o comércio interno.
Começaram a inserir o camarão no mercado com a estratégia de vendê-lo a preços em torno de R$ 6 o quilo (valor referência para o crustáceo de 8g). Mas, com ganho de demanda, subiram valores. “Fizemos as pessoas criarem o costume de comer camarão, estabilizamos o preço do produto em R$ 15. Agora, esse preço aumentou em 100%, porque subiram os insumos para o setor e a mancha branca chegou ao Ceará”, diz. 

Segundo Maia, a pressão sobre o encarecimento do preço é feita pelos restaurantes, que tiveram de reajustar seus cardápios. Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Camarão (ABCC), diz que passada a Semana Santa o preço do crustáceo vai diminuir. “Não vão pensar que vai baixar agora. A demanda está aquecida e o produtor vai aproveitar. Um quilo do camarão de 10g custa cerca de R$ 29 e deve baixar para R$ 25”.

Restaurantes
Pedro Moraes, diretor do Coco Bambu, diz que em todas as faixas de classificação do camarão houve aumento de 100% nos valores. A rede de restaurantes elevou os preços no cardápio, “temporariamente”, em 20%. “A gente fez esse comunicado aos clientes nos atuais jogos americanos das casas, informando que o aumento é temporário, em respeito a eles e para que entendam a situação. Quando a situação se normalizar, a gente vai fazer redução”.
Pedro acrescenta que o camarão acima de 12 g é praticamente inexistente no mercado, porque o crustáceo não consegue crescer acima dessa gramatura. “Ele acaba morrendo por conta da doença da mancha branca”.

José de Souza Amorim, proprietário do restaurante Camarão Sul e da distribuidora Mardoce, diz que reajustou o cardápio em cerca de 10% nos pratos com o crustáceo. “Distribuo camarão e consigo preços menores, mas muitos clientes da distribuidora pararam de comprar camarão e tive queda da demanda em 80%, em 2016 ante 2015”, diz.

Moraes Neto, presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes, Barracas de Praia, Buffets e Similares do Estado (Sindirest-CE), diz que muitas casas que trabalhavam com camarão no quilo deixaram a prática. “A oferta diminuiu, mas não existe falta de camarão. O impacto mesmo foi a questão do preço ao consumidor”.

Saiba mais
Coco Bambu compra 1,2 mil toneladas de camarão por ano.
A Mardoce distribui mil toneladas de camarão por mês. No Camarão Sul são 200 kg do crustáceo por semana.

Ceará possui cerca de 500 produtores de camarão. 75% são pequenos, 20% médios e 5% grandes.
70% da produção do CE é de camarão de pequeno porte (10 g). 30% é grande porte (20 g).
Em 2015 o CE produziu 55 mil toneladas de camarão. Em 2016 foram 40 mil t e esse ano a expectativa são 60 mil t. Estado continua sendo maior produtor do País. O Brasil produz 76 mil t/ano e o Rio Grande do Norte 15 mil t/ano.
O faturamento do setor é de US$ 1,5 bilhão, segundo a ABCC.

A mancha branca mata uma população de camarões em três dias. Não há comprovações de que o vírus faça mal aos seres humanos.


FONTE: O POVO