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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

"Quem conquistar o Ceará, conquista o Nordeste", diz Ministro da Justiça sobre crime organizado



O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, afirmou neste domingo (18) que o Ceará é considerado um “centro geográfico” para o crime organizado. Segundo ele, o grupo que conquistar o Estado irá conquistar toda a região Nordeste.
Preocupado com isso, o ministro determinou que uma força-tarefa desembarcasse na madrugada desta segunda-feira (19) à capital cearense, para dar apoio tático para as polícias Civil e Militar e a administração penitenciária.
 
 O ministro afirmou que a força-tarefa dará apoio à segurança do Estado com serviços de inteligência (Foto: Agência Brasil

 “O Ceará vivencia um momento difícil na segurança pública. Para o crime organizado, o Ceará é o centro geográfico. Quem conquistar o Estado conquista o Nordeste”, avaliou, durante entrevista coletiva em Brasília.
O destacamento de 36 homens, sendo 26 da Polícia Federal e 10 da Força Nacional de Segurança Pública, vai contribuir no serviço de inteligência no Estado com informações de outras regiões do País. A decisão atendeu a um pedido de apoio do governador Camilo Santana (PT).
Não é nada ostensivo. É um apoio de serviço de inteligência, totalmente diferente do Rio de Janeiro. Não haverá nenhuma intervenção nas polícias e nos poderes instituídos na segurança pública do Ceará”, destaca. No Rio de Janeiro, foi montada uma intervenção militar, em que um interventor assume o comando das operações de segurança até o fim do ano.
Torquato acrescentou que a presença da equipe no Ceará será por tempo indeterminado. O período irá depender da necessidade da segurança pública do Estado nos trabalhos de inteligência. “É uma preocupação para que essas forças possam colaborar na prevenção e no combate ao crime organizado por meio da inteligência, colaboração e integração”, conclui.

O desembarque da força-tarefa aconteceu na madrugada deste domingo (18)(Foto: Reprodução/Google Street)
A decisão do envio da força-tarefa ao Estado deve-se ao recentes acontecimentos. No último mês de janeiro, foram registradas duas chacinas: de Maranguape, com 4 mortos, e de Cajazeiras, em Fortaleza, com 14 mortes. A última foi a maior da história do Ceará.
Dois dias depois da Chacina de Cajazeiras, aconteceu um conflito entre grupos criminosos dentro da cadeia pública de Itapajé (a 118 km  de Fortaleza). O massacre teria sido uma resposta do Comando Vermelho (do Rio de Janeiro) a facção Guardiões do Estado (do Ceará), autora da chacina.
Na semana passada, um dos líderes do PCC foi morto no Ceará, na quinta-feira (15), em reserva indígena em Aquiraz, na Região Metropolitana.

Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, o nº 2 do PCC, e seu comparsa Fabiano Alves de Sousa Paca, até então foragidos da Justiça de São Paulo, foram assassinados numa suposta emboscada. Os corpos foram encontrados na sexta-feira (16) em estado decomposição.

Crise na segurança
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o Ceará contabilizou um total de 482 homicídios em janeiro de 2018. A taxa corresponde a 38% a mais do que foi registrado no mesmo período em 2017, com 349 crimes.
O ano de 2017 foi considerado o mais violento da história do Estado, com 5.135 crimes, com uma média de 14 mortes por dia. O dado superou em mais de 15% a média de 2014, ano com os números mais negativos da história.

FONTE: TRIBUNA DO CEARÁ