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segunda-feira, 26 de março de 2018

Jovens com Down têm acesso ao SUS através da Apae - Cidade




No último dia 21 de março, foi celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, condição genética causada quando a pessoa nasce com um cromossomo a mais na célula, que passa a ter não 46, mas 47 cromossomos. As pessoas com Down lutam pela inclusão em todo o Brasil e, aqui em Fortaleza, agora passaram a ter acesso a atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que já oferece serviços de desenvolvimento e inclusão para pessoas com deficiência de todas as classes e faixas etárias. 


A Associação já oferece serviços de desenvolvimento e inclusão para pessoas com deficiência de todas as classes e faixas etárias ( Foto: Cid Barbosa ) 

De acordo com Margarida Picanço, coordenadora pedagógica da Associação, a equipe de profissionais do SUS foi de grande importância para auxiliar nas demandas dos mais de 400 alunos atendidos. "Os (pacientes) que atendemos do SUS são os que vem encaminhados dos postos de saúde e alguns alunos nossos também, de acordo com a necessidade, porque nós temos também profissionais na área de saúde pagos pela Apae. É uma equipe reduzida, mas a gente faz como pode. A parceria do SUS nos ajudou muito", explica. A parceria, implantada no ano passado, é ainda muito recente e conta com uma equipe de seis profissionais: um psicólogo, um fonoaudiólogo, um fisioterapeuta, um terapeuta ocupacional, uma assistente social e uma psicopedagoga. 

A Apae realiza ainda serviços de formação e preparação dos alunos para o mercado de trabalho através do Núcleo de Treinamento Profissional (NTP). Avaliando a aptidão e nível de habilidades motoras e sociais, a equipe treina os alunos e direciona-os para as empresas contratantes. "Até os 18 anos, eles têm que estar na escola. A partir da maioridade, eles vêm aqui para o treinamento, onde ficam em observação para vermos onde ele se encaixa, porque a questão da leitura influencia, das habilidades, de trabalhar com pessoas... Feito isso, os encaminhamos", informa a responsável pelo NTC, Talita Fernandes.  

A associação, no entanto, tem verificado que a procura das empresas por pessoas com deficiência (PCD) para funcionários tem sido cada vez menor, o que deflagra um grave problema: "A procura caiu demais, com essa nova política presidencial, as empresas não estão mais atrás. Antes havia uma fiscalização, mas agora não tem. A gente tem quase 20 alunos que estão esperando uma vaga de trabalho, alunos bons, que tem muita condição de estar trabalhando. Mas como não estão fiscalizando, as empresas deixam vago, 'burlando' a lei", alerta Fernandes.

De acordo com a Lei Nº 8.213, empresas com 100 ou mais empregados estão obrigadas a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas. 

Atuação 

A Apae desenvolve trabalhos desde os primeiros anos de vida da PCD até a idade adulta, atendendo pessoas de 0 a 60 anos. A Associação sobrevive de doações e de parcerias com instituições e entidades governamentais, como a Universidade de Fortaleza e a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc). Pela irregularidade de arrecadação de fundos, a Apae passou por dois anos de grandes dificuldades. "Nós passamos dois anos quase fechando, com três meses de atraso nos pagamentos. Foi em 2015 e 2016. A Apae está se levantando este ano, principalmente com a nova gestão", conta Margarida, coordenadora. 

Dentre os serviços oferecidos gratuitamente, estão a profissionalização, o programa vocacional, oficinas protegidas e atendimentos complementares, que abrangem a educação física, a música, a dança, os projetos de leitura, escrita e matemática. Para o aluno portador da Síndrome de Down, Ivanderson Alves (20), o apoio oferecido pela associação transformou sua vida: "Aqui eu mudei. Todo mundo me acompanhou, me deu apoio. Aqui eu faço trabalho na oficina de produção, faço colagem, quadro... Também atletismo, futsal e natação. O que eu mais gosto aqui é futsal, porque é muito bom fazer esporte", conta o rapaz. Consciente, ele conta seus planos para o futuro e do desejo de ajudar a mãe, que deu todo o apoio para que estudasse e frequentasse o centro: "Quem me ajudou muito a crescer foi a minha mãe. Quando sair, eu quero trabalhar. Quando a minha mãe se aposentar", diz o filho.

Fonte Diário do Nordeste